O terceiro CIS Digital Camp de 2025 decorreu entre 3 a 5 de setembro, no Colégio da Imaculada Conceição (CAIC), em Cernache, sob o mote “Inteligência Artificial com consciência“. Promovida pelo Centro Internet Segura (CIS), em parceria com a Fórum Estudante (FE), a iniciativa juntou, durante três dias, trinta estudantes do ensino secundário e profissional para refletir sobre os riscos e boas práticas associados à Inteligência Artificial (IA).

“A Inteligência Artificial não é apenas o que vemos nos filmes de ficção científica”, começou por explicar, na Sessão de Abertura, Ruth Ferrony, do Centro Internet Segura (CIS/CNCS): “Ela está presente em muitos lugares, no nosso dia a dia”. Aplicações e redes sociais, entre outras ferramentas digitais, acrescentou, são alguns dos espaços em que é possível interagir com soluções de IA, como algoritmos.
A primeira atividade do CIS Digital Camp, partiu de uma análise SWOT (Forças, Fraquezas, Oportunidades e Ameaças), através da qual os participantes puderam pensar sobre o impacto destas tecnologias nas relações humanas e no quotidiano. Seguiu-se um momento de debate, durante o qual os vários grupos defenderam posições contrárias sobre as seguintes afirmações: “A inteligência artificial aproxima-nos?”, “É melhor falar com um chatbot do que com uma pessoa” e “As relações humanas vão piorar com a evolução da IA”. De acordo com Félix Pinéu, da FE, que conduziu o exercício, o objetivo passou por fomentar o espírito crítico em relação a estes temas.

A primeira sessão, do segundo dia do CIS Digital Camp, ficou a cargo da a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), durante a qual a Maria João Dias partilhou alguns dos sinais de alerta, abordando ainda a forma como os estudantes podem ajudar colegas que enfrentem casos de violência online –discurso de ódio, divulgação de informações pessoais ou íntimas, exclusão propositada e stalking ou perseguição. Ouvir sem julgar, ativar medidas de proteção das redes sociais, guardar provas, fazer a denúncia e pedir ajuda à Linha Internet Segura (800 219 090), foram algumas das dicas partilhadas.

A manhã prosseguiu com uma sessão dinamizada por Gabriel Gomes, do Instituto Português do Desporto e da Juventude (IPDJ), que apresentou a iniciativa “Navega(s) em Segurança?” e destacou ainda as ameaças específicas que nascem das tecnologias de Inteligência Artificial, como as deepfakes.

Pedro Barata, da Microsoft, introduziu uma sessão dedicada aos riscos online e às questões ligadas à privacidade. “Devemos pensar na nossa pegada digital, nos riscos de estar online, no bem-estar online e na transformação digital“, reforçou. A sessão incluiu um momento de criação de palavras-passe, explorando as melhores práticas. Uma palavra-passe forte e única, um desbloqueio seguro do dispositivo, o uso de múltiplos fatores de autenticação, manter o software atualizado e identificar endereços legítimos foram alguns dos passos partilhados pelo especialista, que detalhou os passos e regras para cumprir cada uma destas boas-práticas.

Carlos Antunes, do Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS), dinamizou a última sessão do dia, explicando que “A primeira decisão a tomar no que diz respeito à utilização da Inteligência Artificial é em que momentos queremos ou não utilizar a Inteligência Artificial”. A questão que devemos colocar-nos, sublinhou Carlos Antunes, é: “Somos nós que controlamos a IA ou é ela que nos controla a nós?”. Para evitar este controlo, explicou, necessitamos de ser “utilizadores conscientes” que recorrem a estas ferramentas para necessidades específicas.

A inserção de publicidade nas redes sociais, em conjunto com as tecnologias de inteligência artificial, acrescentou, complexifica a nossa relação com estes espaços. “A Inteligência Artificial lê as vossas ações e está a alimentar-vos sistematicamente de conteúdo de que dão a entender que gostam, o que faz com que sejam passivamente controlados”, explicou.
A sessão incluiu ainda uma dinâmica prática que levou os estudantes a debater sobre: “A IA dá poder aos humanos vs Os humanos estão a perder o poder com a IA”.

O objetivo para o último dia do CIS Digital Camp era simples: criar uma campanha de sensibilização que partilhe boas-práticas e riscos associados à utilização de IA em contexto escolar. “O vosso trabalho vai ser a base de uma ação de comunicação de âmbito nacional a realizar no regresso às aulas”, explicou Félix Pinéu.

Durante a manhã, divididos em grupos, os estudantes que participam no CIS Digital Camp trabalharam este tema, imaginando mensagens-chave e conteúdos associados que transmitam algumas das ideias que exploraram ao longo dos últimos dias: Quais os riscos associados ao uso das IA? De que forma podemos usá-las em contexto escolar? E que cuidados devemos ter?
Na sessão de encerramento, Ruth Ferrony, do CIS/CNCS, agradeceu aos participantes a forma como se envolveram nas atividades e concluiu: “Acreditem no vosso potencial porque vocês são agentes de mudança”.
