A segunda edição do CIS Digital Camp 2025 decorreu entre 4 e 6 de agosto, no Politécnico de Santarém, sob o mote do bem-estar digital. Promovida pelo Centro Internet Segura (CIS), em parceria com a Fórum Estudante, a iniciativa juntou, durante três dias, 50 estudantes do ensino secundário e profissional para refletir sobre os desafios da vida online.
A sessão de abertura decorreu na Escola Superior Agrária de Santarém e contou com a presença de João Moutão, Presidente do Politécnico de Santarém e com Pedro Mendonça, Coordenador do Departamento de Desenvolvimento e Inovação do Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS). Foi abordado o impacto da tecnologia no bem-estar dos jovens, alertando para a necessidade de uma utilização mais consciente das ferramentas digitais. “Segurança e bem-estar digital estão interligados. Estarmos informados é o primeiro passo para estarmos protegidos”, destacou Pedro Mendonça.

A primeira atividade do CIS Digital Camp foi dinamizada por Margarida Alpuim, da Cátedra UNESCO, que desafiou os participantes a analisar situações reais relacionadas com o bem-estar online. Este momento gerou debate, partilha de experiências e reflexão conjunta sobre a dependência de redes sociais, isolamento, pressão estética online ou excesso de notificações.

A tarde foi marcada por uma dinâmica de debate em torno da relação com os dispositivos digitais, sob o mote “Estás no controlo… ou é o telemóvel?”, o que permitiu que os participantes explorassem diferentes perspetivas sobre três questões-chave: “As redes sociais aproximam-nos ou isolam-nos?”, “Devíamos impor limites legais ao tempo de ecrã?” e “Mostrar uma vida perfeita online é perigoso?”.

O segundo dia do CIS Digital Camp, começou com a presença da APAV – Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, numa sessão conduzida por Madalena Baeta. O desafio lançado aos participantes foi: refletir sobre o tempo que passamos online e como utilizamos as redes sociais. A sessão explorou também conceitos como o “filter bubble“, que descreve o efeito dos algoritmos na limitação de perspetivas online, e a desinformação, que pode distorcer a perceção da realidade e influenciar comportamentos.

Ainda durante a manhã, foi a vez da iniciativa “Navega(s) em Segurança?”, promovida pelo IPDJ – Instituto Português do Desporto e Juventude, de entrar em ação. Esta atividade foi conduzida pelos jovens voluntários João e Yara, num formato peer-to-peer e serviu como alerta para a facilidade com que os conteúdos digitais podem ser manipulados e para a importância de desenvolver um pensamento crítico no consumo de informação online.

Ao início da tarde, Pedro Barata, da Microsoft, dinamizou uma sessão dedicada aos riscos do online e à importância da proteção de dados. Através de exemplos práticos e casos reais, o orador alertou para os perigos de práticas comuns que comprometem a segurança digital.

Os participantes voltaram a mergulharam no universo da Literacia Mediática, numa sessão conduzida por Bruna Afonso, da ERC – Entidade Reguladora para a Comunicação Social. Sob o mote “Repensar o Ódio nos Média”, a atividade desafiou os jovens a refletir sobre a liberdade de expressão no ambiente digital. A discussão que se seguiu permitiu debater as fronteiras entre o discurso de ódio e a liberdade de expressão, assim como o papel da ERC na regulação dos meios de comunicação.

A última sessão do dia teve como tema “Conexões reais num mundo digital”, dinamizada pela Sofia Pereira do Relational Lab, que procurou colocar em evidência o impacto das redes sociais nas relações humanas. Com o avanço da tecnologia e a centralidade dos ecrãs no quotidiano dos jovens, a questão colocada foi: será que estamos a perder a capacidade de nos conectarmos de forma autêntica?
O dia terminou com uma dinâmica em que os participantes trabalharam em grupo com imagens retiradas de redes sociais, criando histórias fictícias a partir dessas fotografias. A reflexão final levou à conclusão de que as aparências podem ser enganadoras e que, muitas vezes, uma imagem esconde mais do que revela.

O terceiro e último dia do CIS Digital Camp teve como foco a educação para a cidadania digital e a criatividade, encerrando três dias de reflexão e aprendizagem sobre o bem-estar no mundo digital.
Ruth Ferrony, do CIS/CNCS, iniciou a sessão da manhã, alertando os participantes para a importância de desenvolverem uma atitude consciente e equilibrada na utilização das tecnologias: “A Internet é como Nova Iorque, uma grande cidade que, como se diz, nunca dorme.”, mencionou. Apelou ainda à importância de cultivar relações interpessoais sólidas fora dos ecrãs: “Utilizem com equilíbrio. O digital faz parte da vossa vida, mas não é a vossa vida toda”, sublinhou.

Na segunda parte da manhã, os participantes foram desafiados a aplicar o que aprenderam, com o objetivo de sensibilizar para o tema do bem-estar digital. Esta atividade final uniu criatividade, pensamento crítico e competências digitais, dando palco à voz dos participantes enquanto agentes de mudança num mundo cada vez mais conectado.


E assim chegou ao fim esta edição do CIS Digital Camp, o segundo de cinco bootcamps que, ao longo deste ano, vão capacitar estudantes do ensino secundário e profissional para uma vivência mais segura, saudável e crítica no mundo digital.
