Hoje celebra-se o Dia Internacional das Raparigas nas TIC (Tecnologias de Informação e Comunicação)/International Girls in ICT Day 2026, um evento global híbrido organizado pela União Internacional das Telecomunicações (UIT).
Assinalamos este dia, através de sinergias entre o Centro Nacional de Cibersegurança, e dentro deste o Centro Internet Segura, e a área Governativa da Presidência, conscientes da importância de promover a capacitação de jovens mulheres para as carreiras digitais e alinhado com o Programa Nacional das Raparigas nas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática).
Queremos contribuir ativamente para inspirar novas gerações através da visibilidade de mulheres que trabalham nestas áreas e desconstruir estereótipos que penalizam a escolha destas áreas de estudo e profissões.
Para isso, contamos com a Teresa Pereira e a Rita Barbosa, que partilham, na primeira pessoa, os seus percursos, desafios e conquistas no domínio das tecnologias, em particular, da cibersegurança – exemplos reais e inspiradores, cuja visão é essencial para promover o interesse de jovens mulheres e a retenção e progressão de talento.
Partilhamos a entrevista, na íntegra, à Teresa Pereira e, em vídeo, o testemunho da Rita Barbosa, disponível na página de YouTube do CIS.
Qual consideras ser o maior obstáculo para as raparigas na escolha de cursos ou profissões nestas áreas?
Teresa: Considero que o cérebro é o maior obstáculo e, em alguns casos, o nosso pior inimigo! Diria que está bastante relacionado com o que nos dizem ou incutem desde que somos crianças, dizendo-nos que “computadores é para rapazes”. Isso influencia, mesmo que inconscientemente, a nossa escolha quando chega ao ensino superior. Mas porque é que nós raparigas não podemos também gostar de computadores? Afinal de contas, quem desenvolveu o primeiro programa de computador foi uma mulher, Ada Lovelace. Adicionalmente, creio que o medo de achar que vai ser um curso ou uma profissão exigente pode ser também um entrave.
Sendo mulher, como é trabalhar na área da cibersegurança?
Teresa: Dentro da área de STEM, ainda existem muitas mulheres que se sentem inferiorizadas face aos homens que executam o mesmo tipo de funções, sentindo que as oportunidades de crescimento e/ou salário não são as mesmas. Felizmente, nunca senti esta discrepância, também porque sempre tive colegas e managers para os quais importa mais o talento e o conhecimento do que propriamente o género. Considero que sempre tive oportunidades de acordo com o meu desempenho. Cibersegurança é uma área polivalente, em constante crescimento, onde há lugar para ambos os géneros. No meu caso é muito gratificante poder trabalhar nesta área e defender organizações e pessoas de (possíveis) ataques por parte de threat actors. Acredito que juntos somos mais fortes e, por isso, além do meu full-time job, tenho também diversos projetos pessoais relacionados com cibersegurança, onde o principal foco é a comunidade e a partilha de conhecimento.
Que estereótipo sobre as mulheres na cibersegurança achas importante desconstruir?
Teresa: Existe muitas vezes a assunção de que as mulheres que trabalham na área da cibersegurança não são tão técnicas, tão inteligentes, ou tão boas profissionais como os homens. A verdade é que isso não está diretamente relacionado com o género, mas sim com a pessoa em si – a sua personalidade e soft skills.
Porque é que consideras importante haver mais raparigas a escolher as áreas tecnológicas?
Teresa: O equilíbrio é a chave, e por serem áreas maioritariamente dominadas por homens, temos que “abrir a porta” a mais mulheres e mostrar-lhes que afinal nós também podemos gostar de computadores e ter sucesso profissional nestas áreas.
Que conselho deixas a uma jovem que acha que esta área não é para ela?
Teresa: Em primeiro lugar, perguntaria a essa jovem o porquê de ela achar que a área de cibersegurança não é para ela. Eu tirei licenciatura em Engenharia Informática e, durante o curso, pensei muitas vezes em desistir, muitas vezes senti que não me via a ter futuro naquela área, por vezes era tudo muito incerto para mim, mas continuei. Cibersegurança não era uma paixão que eu tinha desde mais nova, mas foi uma oportunidade que apareceu na minha vida e que eu recebi de braços abertos. Nesta área, são muitas as horas que tens de dispensar para ganhar conhecimento, para evoluir, para seres melhor. E, se te acontecer como a mim, vai ser uma área pela qual te vais apaixonar. Muitas vezes só precisas de alguém que “te abra a porta”. E quando isso acontecer, não penses duas vezes!